sexta-feira, 30 de agosto de 2013

A APM, A FAMÍLIA E O ESTADO

Um Estado democrático deve oferecer aos seus cidadãos as condições necessárias para que todos possam atingir suas potencialidades. Na Escandinávia, o Estado oferece um serviço de qualidade para todos os alunos, sejam eles filhos de um militar, do diretor de uma multinacional ou de um imigrante. O oposto, o neoliberalismo, busca acabar com a igualdade de oportunidades e recriar uma grande segmentação da sociedade. O auge dessa política foi quando Margareth Thatcher reduziu a um terço a oferta de leite para as crianças nas escolas, porque afirmava que os pais poderiam arcar com este custo. Apesar de ela ser exaltada pela direita, os britânicos foram às ruas festejar a sua morte. A educação pública, por convicção, deve ser gratuita para garantir a todos uma igualdade de oportunidades, dando acesso àqueles que historicamente foram dela marginalizados. Feita esta declaração de princípios, indagamos se somente ao Estado deve recair a responsabilidade sobre TUDO aquilo que é necessário para o funcionamento das escolas e universidades públicas. Restaria à comunidade apenas o papel passivo de esperar as eleições para se manifestar? Seria tal atitude adequada para a construção da democracia? Não deveria a comunidade organizada contribuir para o aprimoramento dos espaços públicos? Podemos constatar esta passividade com o esvaziamento de uma entidade que décadas atrás era muito importante para a democratização da vida escolar: a Associação de Pais e Mestres (APM). Por mais que se diga que é dever do Estado, é DEVER da família contribuir para a melhoria dos espaços onde nossos filhos são socializados. Fico aqui pensando no peso que uma taxa da APM no valor de R$10,00 poderia provocar no orçamento de 90% das famílias, já que os outros 10% seriam objeto das ações organizadas pela APM. Quanto isto custaria, o valor de um frango? A propósito, os primeiros professores de Harvard foram remunerados com frangos, trigo, lenha e outras coisas que uma comunidade pobre poderia fornecer àqueles que ajudavam a estruturar a vida social de um lugar distante e rude como Massachusetts do século XVII. Hoje, Harvard é a universidade mais importante do mundo! Por fim, devemos cobrar do Estado o seu dever, mas sem esquecer que também temos responsabilidades. Que revivam as APMs que agonizam em todo o Brasil! Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 12/05/2013

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