sexta-feira, 30 de agosto de 2013
BASTA DE VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER
Apesar de termos certo orgulho sobre a tolerância do povo brasileiro, não se encontra no mundo lugar mais violento do que o nosso país. Somadas as mortes por homicídio e as por acidentes automobilísticos, temos uma vexatória soma de quase 100 mil pessoas mortas por ano! O dobro das baixas americanas no Vietnam.
Em meio a esta violência endêmica, temos um dado a mais para nos envergonhar: a cada duas horas uma mulher é assassinada no Brasil por pessoas próximas, como maridos, namorados ou parentes. Nem a Lei Maria da Penha tem conseguido diminuir esta barbaridade.
Essa violência é reforçada por fatores culturais. Quando se depara com uma briga de casais, sempre surge o bordão de que “em briga de marido e mulher ninguém põe a colher”. A cultura popular reforça esta tendência. Escrito na década 1950, o samba “Na subida do morro”, de Moreira da Silva, começa desta forma: “Na subida do morro me contaram/ Que você bateu na minha nêga/ Isso não é direito/Bater numa mulher/ Que não é sua”... Ou seja, está implícito que o homem pode bater na dele, pois esta lhe pertence, as outras não!
Deixando o samba e indo para o sertanejo, vemos coisas similares: “Não era preciso chorar desse jeito/ Menina bonita anjo encantador/ Aquele tapinha que dei no seu rosto/ Não foi por maldade, foi prova de amor” (Tapinha De Amor, Léo Canhoto e Robertinho).
Não podemos ser cúmplices de tamanha covardia. É preciso reverter esta cultura de machista, incutindo já nas crianças a noção de respeito e tolerância. Além disso, as pessoas conscientes devem exigir não apenas o fim da violência contra as mulheres, mas também a punição contra os agressores. Juízes, promotores e policiais devem dar sua quota de contribuição.
Enquanto isso, nesta semana, Marília deu a sua contribuição para essa vexatória estatística: ex-marido assassina a sogra e a cunhada, apesar de, em vão, haver sido denunciado pelas vítimas. Não dá para tolerar isto. Não sejamos cúmplices!
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 20/12/2012
O MAR DE LAMA DA DIREITA
O julgamento do chamado “mensalão”, vem sendo utilizado pelos setores mais conservadores da política e da sociedade com o intuito de quebra a ordem constitucional. Jornalões estão dedicando páginas e mais páginas para desgastar as forças políticas que se aliaram ao projeto presidencial de Lula em 2002 e, desde então, têm hegemonizado a política nacional. Órgãos do Estado, como a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal estão sendo envolvidos nesta aparente trama golpista.
A crise foi inflada com a divulgação seletiva do depoimento de Marcos Valério, em que procurou envolver o ex-presidente no episódio do mensalão, em meio ao julgamento do STF. Além das acusações, que merecem ser apuradas, causa estranheza o fato de o Procurador-Geral ter, aparentemente, vazado o depoimento para o elitista jornal O Estado de São Paulo, o que por si só dá dimensão do golpismo em curso.
Os leitores podem pensar que estou exagerando quanto às minhas percepções, mas a História brasileira já foi manchada por episódios similares em que um falso moralismo foi utilizado para derrubar processos políticos que ampliaram os direitos e oportunidades das camadas mais pobres da população.
Em 1954, a mesma grande imprensa que hoje massacra o governo progressista liderado pelo PT (mas também composto pelo PMDB, PSB, PCdoB, PDT, PRB, PR, PP, PSD e PSC) e que criou o mito do “Mar de Lama”, esteve por detrás do suicídio de Getúlio Vargas, em 1954, e do golpe militar, de 1964. A tática é a mesma: demonizar a política, atacar a honra dos principais atores políticos e poupar de qualquer crítica os aliados que, por conta da estrutura política brasileira, são responsáveis por atos similares àqueles praticados por seus inimigos. É um moralismo seletivo.
As forças progressistas do país devem estar em alerta: ou se mobiliza as forças vivas do povo, ou estamos à beira de um novo ciclo de autoritarismo, dessa vez travestido da fantasia da legalidade, como ocorrera recentemente no Paraguai.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 13/12/2012
A China de Hu Jintao
Entre 2002 a 2012, a China alcançou notáveis progressos em todos os campos. Consolidou-se como o maior exportador do mundo. Seu PIB ultrapassou com folga a Alemanha e o Japão, sendo hoje a segunda maior econômica do mundo com a perspectiva de superar os Estados Unidos até o final desta década. Levou ao espaço a sua primeira nave tripulada, êxito obtido sem o auxílio de nenhum outro país. Empresas chinesas adquiriram grandes marcas no exterior e cada vez mais o país deixa de ser produtor de bens de baixo valor agregado e se insere no rol dos países que dominam alta tecnologia.
Este novo protagonismo da China também se refletiu na América Latina. Em menos de uma década o país se tornou um parceiro de peso da Região. Em 2001, a China era apenas o oitavo principal parceiro comercial do Brasil, hoje, já é o principal. A forte demanda chinesa por commodities tem possibilitado a estabilidade econômica da região, mesmo enfrentando crise que vem se arrastando desde 2008.
Um aspecto importante da gestão de Hu Jintao diz respeito à busca de uma “sociedade harmoniosa”. Isto porque, a aceleração do desenvolvimento econômico gerou o aumento da disparidade de renda entre as famílias chinesas, notadamente as da zona rural. A esse respeito, destaca-se o forte aporte do governo à construção de moradias para as famílias do campo e também a supressão dos impostos sobre a atividade agrícola.
Destaca-se, por fim, o início de uma forte guinada no modelo de desenvolvimento da China, revertendo a dependência que a economia do país ainda possui com relação aos investimentos e à demanda interna. A recessão na Europa e da lenta recuperação dos Estados Unidos obriga todos os principais países em desenvolvimento e reforçar estratégias que privilegiem a demanda interna e também a uma maior integração no eixo Sul-Sul. Nesse sentido, ganha especial projeção o Grupo dos BRICS, em particular o Brasil, que pode criar um novo eixo de crescimento da economia mundial.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 29/11/2012
Perplexidade
Fiquei perplexo ao receber a notícia de que a Justiça Eleitoral de Marília havia cassado a candidatura do Dep. Vinicius Camarinha. O argumento central da decisão se baseou em “abuso de poder econômico” decorrente do uso de jornais ligados ao “grupo de Camarinha” que haviam feito campanha ostensiva em favor de Vinícius e malhado os adversários.
Quem é morador da cidade tem por costume ouvir que determinado grupo jornalístico é vinculado a este ou aquele político. Não é novidade. Na cultura política brasileira, é “normal” esperar um bom tratamento aos amigos e uma crítica implacável aos inimigos. Mutatis-mutante, foi o que ocorreu com relação à ação penal 470, o caso do “mensalão”, em que toda a “grande imprensa” massacrou o PT como se somente este partido se desviasse da ética. O Procurador Gurgel chegou mesmo a torcer para que o julgamento influenciasse as eleições.
Às vésperas da eleição municipal, o Jornal Nacional dedicou 18 minutos de seu tempo para martelar na cabeça da população a sua visão de mundo. Chegou-se ao absurdo de tratar a ação 470 com o “o maior caso de corrupção da História”! (Fico aqui pensando na privatização da Vale, no governo FHC, e me pergunto: “quantas centenas de mensalões seriam necessários para fazer frente àquela transação?”)
Sou cético com as coisas da vida. Já vi boas intenções servirem a objetivos inconfessáveis. Duvido, por exemplo, de um ativismo jurídico que em tese busca “purificar” a política. De uma hora para outra, o Poder Judiciário se sobrepõe à política se esquecendo de outros contrapesos sociais que garantem a institucionalidade democrática. Em princípio, parece coisa boa, mas na prática, penso, há sempre uma impressão de casuísmo. A operação “mãos limpas” na Itália gerou o fenômeno Berlusconi.
Não votei em Vinícius. No entanto, seria improvável, do ponto de vista político, que o jogo, tal como foi jogado, não refletisse a opinião dos eleitores de Marília. Na política, como no futebol, o embate deve ocorrer dentro de campo e durante o tempo regulamentar. O juiz deve apitar o impedimento quando ele ocorre. Depois que o jogo acabou não se pode usar “vídeo-tape” para anular um gol.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 22/11/2012
China e Estados Unidos
Neste mês de novembro ocorrem duas eleições que tendem a moldar o mundo para os próximos 10 anos: de um lado, a eventual vitória de Barack Obama nos Estados Unidos; de outro, a eleição de Xi Jinping como futuro presidente da China. Tratam-se das duas maiores economia do mundo e, sob muitos aspectos, estes países se posicionam contraditoriamente, ora como fortes aliados, ora como fortes concorrentes.
O relacionamento entre China e Estados Unidos foi retomado em 1972, quando Richard Nixon visitou o país de Mao Tsé-Tung e estabeleceu uma aliança estratégica contra a ex-União Soviética. Desde então a relação vem crescendo em importância. A China se tornou o maior detentor de títulos da dívida dos EUA e também um dos maiores exportadores para o país. Por outro lado, as multinacionais dos Estados Unidos encontraram na China um espaço promissor para produzir bens industrializados, sendo uma plataforma de exportações e também um grande mercado consumidor.
O desenvolvimento da China tem despertado desconfiança em Washington, pois o seu o rápido crescimento tem viabilizado um maior gasto militar, reequilibrando o poder na Ásia. Apesar de a China reafirmar seu compromisso com a paz mundial, os Estados Unidos estão se reposicionando na região da Ásia-Pacífico com vistas a conter a expansão chinesa. Duas iniciativas são dignas de nota: a divulgação da estratégia “Um século americano na Ásia-Pacífico”, em 2011, que busca direcionar o esforço dos Estados Unidos do Oriente Médio para esta região, e a “Parceria Trans-Pacífico”, que visa construir uma imensa área de livre-comércio na região sem a presença chinesa.
Em síntese, há pontos de atrito, mas também há boas perspectivas para a relação bilateral. O futuro da paz mundial dependerá da habilidade dos governantes da China e dos EUA em encontrar um meio termo entre a competição e a cooperação. No entanto, com pouca fé na razão humana, não é difícil imaginar que no futuro se assistirá a uma nova Guerra Fria. A ver.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 08/11/2012
A VIRADA NA ECONOMIA
A luta política faz com que a interpretação da realidade seja mascarada por preconceitos. Como diria Chico Buarque, dependendo do olhar, “um copo vazio está cheiro de ar”. No campo da economia também é assim: há setores políticos que sonham com a grande crise que irá erodir o prestígio do atual governo e, para tanto, tendem a ver somente as más notícias conjunturais como se fossem a tendência de longo prazo.
O senso comum teme uma suposta “bolha de crédito” na economia brasileira. Ela, dizem os pessimistas, iria nos arrastar para uma hecatombe, de maneira similar ao que vem ocorrendo na Europa e nos EUA. Ademais, reclamam dos dados de criação de empregos, mas esquecem de que em outros países há o aumento do desemprego, como na Espanha, onde chega a quase 25% da população economicamente ativa.
Há duas notícias que enchem de ódio os pessimistas: a retomada da produção industrial em agosto e, principalmente, a nota divulgada nesta semana pela Serasa-Experian, que dá conta da DIMINUIÇÃO da inadimplência entre as famílias. De acordo com a empresa, o Indicador de Perspectiva da Inadimplência do Consumidor recuou 1,5% em agosto de 2012, na comparação com julho/12. Foi a décima queda mensal consecutiva, sinalizando que a inadimplência deverá manter sua trajetória de declínio também em 2013.
Ora, a que se deve esta boa notícia? Essencialmente, ao barateamento do custo das dívidas, frente à queda das taxas de juros (pressionados pelo governo federal), ao baixo desemprego, à predominância de ganhos salariais acima da inflação e ao maior rigor dos bancos na análise e concessão de crédito. Com isso, se estabelece uma trajetória gradual, porém consistente, de redução dos níveis de inadimplência.
Diante desse quadro, vale advertir: industriais e comerciantes mexam-se, pois a economia neste semestre irá mais do compensar a lentidão dos primeiros meses do ano. Ao consumidor: aproveite a queda dos juros com parcimônia. A roda de economia está se mexendo mais uma vez.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 18/10/2012
Crescimento é Investimento!
Nesta semana o governo prorrogou os incentivos fiscais para a venda de automóveis: até 31 de dezembro será mantido o corte do IPI para a venda de carros novos. Muito provavelmente serão prorrogados os incentivos para a linha branca (geladeiras, fogões, lavadoras e micro-ondas) e para a construção civil. Em tempo de crise o governo deve agir para evitar o pior, que seria o aumento do desemprego. No entanto, isso não é suficiente. É preciso aumentar a produção, é preciso aumentar a taxa de investimento no Brasil!
Comparado com a China, cuja taxa é de 45%, a do Brasil parece piada: desde 1980 o país não investe ao menos 20% de seu PIB. Enquanto a China irá crescer 7,8% este ano, a taxa de crescimento do Brasil não alcançará 2%. Afinal, como a China consegue esse milagre e o Brasil não?
Destacamos dois fatores: a estrutura do gasto do governo e as taxas de juros. No primeiro quesito, vale lembrar que a China se desfez de grande parte de sua assistência social para sobrar dinheiro para os investimentos. Lá, a faculdade pública não é de graça, assim como os hospitais e o sistema de aposentadoria. Já no Brasil, qual governante seria eleito se prometesse acabar com o SUS, com o INSS ou com a gratuidade da educação? Ruim com, pior sem!
O outro vilão são às taxas de juros. Enquanto que na China as taxas são baixas e o sistema bancário é controlado pelo governo, no Brasil a situação é vexatória. Quem consegue produzir com taxas de juros de 30% ao ano? Quanto o consumo não é restringido por taxas de 100% ao ano? Qual sistema financeiro lucra mais que o do Brasil?
Para a população gastar, é preciso um estoque de produtos. Sem isso, o aumento da renda pode ser consumido pelo aumento dos preços. Só a ampliação da base de produção garante uma economia forte e sustentável. Questões que se colocam são: quem vai ampliar os investimentos? O Estado tem gordura para fazer mais? Por que o empresário brasileiro investe e inova tão pouco? As respostas a isso valem 1 milhão!
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 25/10/2012
CARTA AO NOVO PREFEITO
Exmo. Deputado Vinicius Camarinha,
Não sufraguei seu nome, mas a população de Marília o elegeu prefeito para o quadriênio 2013-2016. Cabe-me, então, lhe desejar sorte nesta empreitada que é gerir um município com mais de 200 mil moradores, um orçamento que gira em torno de R$600 milhões e uma montanha de dívidas e problemas.
Deixe-me apresentar. Sou professor na Unesp desde 2005. Trouxe minha família de São Paulo buscando no interior um ambiente mais propício para a criação de minha filha e de meu enteado. Não me arrependi. Apesar de alguns problemas, o balanço é muito positivo, particularmente pela acolhida que recebi das pessoas daqui.
Entre os problemas que encontrei, muitos se relacionam às ações da Prefeitura, como o descaso com o Plano Diretor, o adensamento populacional sem o escoamento adequado; a falta de fiscalização no trânsito e o desrespeito aos mais básicos princípios da legislação; o odor de esgoto que emerge em nossos itambés; a falta de opções de cultura e lazer que lega à população algo como a estrofe de música sertaneja, como “beber, cair e levantar”, etc.
Não me queixo de saúde, educação e abastecimento d´água. Infelizmente, por conta da baixa qualidade dos serviços sociais básicos, só me restou retirar parte significativa do salário para pagar plano de saúde, escola privada e galões de água mineral. No entanto, quantas famílias mais pobres podem fazer o mesmo?
Ademais, preocupa-me o fato de nossa cidade não criar os meios para estimular investimentos que garantam renda e empregos qualificados. Mas como isso poderia ser viável se nossas crianças e professores não encontram na escola pública um ambiente que valorize o esforço, a dedicação e a criatividade?
Desculpe-me pela impertinência. É provável que seus amigos alimentem seu ego e te afastem dos problemas reais. No entanto, nós estamos aqui para lembrá-lo de seus compromissos, aplaudindo seus feitos e criticando o que julgarmos equivocado. Assim é a Democracia. Boa sorte em seu mandato!
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 11/10/2012
Desenvolvimento e Eleição (2): o Plano Diretor
Na coluna de 28/09/2012 estabelecemos uma relação importante entre desenvolvimento e eleições por conta de um fator essencial para o crescimento de Marília: um forte investimento em educação. Nesta oportunidade, optamos por considerar outro aspecto essencial da atuação do futuro Prefeito rumo a uma cidade desenvolvida: a implementação de um Plano Diretor.
Somente com um Plano moderno e inteligente podemos potencializar o uso do nosso território. Ele é o documento que condensa o processo de planejamento municipal, visto que delimita o território de acordo com seus usos. Fora do Plano, só há o nefasto improviso, do qual o caos urbano e as elevadas alíquotas de IPTU são os principais exemplos.
Na formulação do Plano Diretor, por meios de debates democráticos envolvendo cada grupo de interesse, podem ser definidas as vocações para o município. A instalação de indústrias poluidoras ou altamente consumidoras de água, por exemplo, poderia ser refreada, enquanto que outras atividades com menor impacto ambiental poderiam ser estimuladas.
O adensamento populacional em uma região e os vazios em outras poderiam ser enfrentados com políticas de zoneamento e tributação diferenciadas, onerando os proprietários de terrenos que esperam a cidade crescer de forma desordenada para depois usufruir o ganho extra com a especulação. Também o transporte urbano pode ser reorganizado visando a melhoria da qualidade de vida da população: chegar a perder duas horas por dia em deslocamentos é algo impensável para uma cidade de 220 mil habitantes.
Por fim, algo que nossa cidade é pouco servida: áreas públicas de lazer, bonitas e seguras. Como cresceu sem planejamento, nossa cidade não possui espaços para o saudável convívio de seus cidadãos. Poucos são os parques, as praças e os centros comunitários que apresentam estrutura adequada para uso.
Reflita sobre este tema e pense que a eleição é o momento de escolher propostas que visem melhorar a vida de TODOS. Bom voto!
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 04/10/2012
Eleição e Desenvolvimento (1) - Educação
A menos de 10 dias da eleição municipal é impossível não falar sobre seu impacto no desenvolvimento da cidade de Marília.
Alguns poderiam dizer que o processo eleitoral não influencia o destino econômico de nossa cidade, pois, diriam esses, a cidade cresce “apesar” dos políticos. Nessa visão, quanto menor o Estado, melhor. Discordo dessa opinião!
Se Marília é o que é, deve isso à classe política que liderou a cidade durante suas primeiras décadas de existência. Mesmo com a quase extinção da cultura cafeeira, souberam incorporar à nossa economia outras atividades, como o beneficiamento de matérias-primas e indústrias de bens de consumo. Isso legou uma base cultural para desenvolvimentos posteriores, quando foram criados distritos industriais e uma ampla rede de serviços públicos, essenciais para o crescimento dos setores alimentício, metalomecânico, educacional, comercial e de serviços.
Hoje, os desafios são outros. Devemos preparar a cidade para a economia do século XXI. Nesse aspecto, a capacidade de liderança do Prefeito é fundamental para estimular novas aptidões produtivas na cidade e, para tanto, devemos atacar o problema número 1: a má qualidade da Educação. É urgente aprimorar o ensino público para criar perspectiva de futuro para a juventude. Sem capacidade de criação e absorção de modernos conhecimentos, é impossível pensar numa sociedade desenvolvida.
Para tanto, deve ser quebrado o pacto de mediocridade na educação. Professor tem que saber o que ensina, aluno deve se esforçar para aprender, os pais devem ser responsáveis e os dirigentes devem deixar de rimar a Educação com Licitação. A qualidade do ensino depende de escola estruturada, dirigentes responsáveis, alunos nutridos e motivados, famílias participativas e professores capazes e bem remunerados.
A eleição é o momento de desenhar o futuro. Qual candidato prioriza, de fato, a educação?
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 27/09/2012.
SINAIS TROCADOS NA AGRICULTURA: VACAS MAGRAS PARA UNS, BONANÇA PARA OUTROS
A chuva desta última quarta-feira foi recebida com alívio e entusiasmo pela população de Marília. Depois de dois meses de secura, as gotas d´água trouxeram uma ótima sensação de que, enfim, a natureza volta a funcionar no seu eixo. Infelizmente, a chuva que nos alenta e que permite a renovação do ciclo da vida não aliviará a inflação dos preços dos produtos agrícolas, pelo menos nesta safra.
Isso se deve, em grande parte, à forte seca que atinge os Estados Unidos. Devido a ela, os preços da soja, do trigo e do milho vêm atingindo níveis astronômicos, mesmo com a aguda recessão mundial que vivenciamos. Apenas a soja, nos primeiros oito meses de 2012, teve seus preços majorados por volta de 36%. Quem compra óleo de cozinha, frango e massas já sente o seu impacto.
O que é má notícia para uns, é boa para outros. Do lado dos “ganhadores” estão aqueles produtores de grãos que se aproveitarão da quebra da safra dos Estados Unidos para alinharem seus preços ao nível internacional. Vale lembrar que os produtores de milho norte-americanos têm que dar conta da demanda por rações e outros usos alimentares e também da forte demanda por etanol. Se a safra de lá quebra, cria-se a oportunidade para que a produção local ocupe espaços no exterior.
Do lado dos “perdedores”, além do consumidor final, estão os principais usuários de grãos, como os criadores de aves e suínos, os refinadores de óleos comestíveis, os produtores de biodiesel e também moinhos e pastifícios, devido à demanda por soja, trigo, fubá e amido de milho. Isso afetará a inflação e, principalmente, a oferta de alimentos baratos.
A situação é preocupante. Esperar pela atuação do livre mercado é dar um tiro no próprio pé, pois quem está lucrando muito não quer nada além disso. Se o governo não intervier no mercado agora, veremos muitos produtores familiares da nossa região quebrando e jogando por terra uma estrutura produtiva essencial para garantir o suprimento de aves e suínos a baixos preços.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 20/09/2012.
Crise, incentivos e empregos
O relatório da UNCTAD, agência da ONU para comércio e desenvolvimento, divulgado nesta semana, aponta para um piora do cenário econômico mundial. Depois de crescer 4,1% em 2010, o PIB do mundo vem caindo fortemente: em 2011 o índice ficou em 2,7% e para este ano estima-se em apenas 2,3%! O relatório ainda informa que a maior parte desse crescimento se deve à contribuição dos países em desenvolvimento, enquanto que os países ricos decepcionam.
O desemprego entre os jovens na Zona do Euro se aproxima a incríveis 40%, e a política de austeridade fiscal só faz piorar as coisas, com cortes nos salários, na saúde, educação e previdência. A opção pela austeridade nos países controlados pela lógica financeira tem agravado o problema, já que tais cortes levam a um maior desemprego, a um menor nível de atividade e, conseqüentemente, a uma menor arrecadação de impostos e aumento da dívida pública.
Enquanto isto, o governo brasileiro tem utilizado diversos instrumentos para tentar diminuir o impacto da crise mundial sobre nossa economia, uma vez que o contágio da crise mundial é inevitável. Medidas de redução de impostos, desoneração da folha de pagamentos, redução de juros e incentivos às indústrias nacionais têm surtido efeito. Se tais medidas não fossem adotadas, a situação seria pior, pois apesar de tudo a economia brasileira continua a gerar empregos.
Por fim, cabe elogiar a decisão do governo em reduzir o preço da energia elétrica. A medida ajuda o país em quatro importantes aspectos: (1) reduzirá o custo de produção da indústria: (2) aumentará a renda disponível para as famílias; (3) ajudará a combater a inflação, que vem sendo pressionada pelo aumento dos preços alimentos; e (4) oferece melhores condições competitivas, contribuindo para a atração de investimentos e para a sustentação do crescimento em longo prazo. Não se pode esperar a solução da crise de braços cruzados. É preciso agir para evitar o pior. Se o nível de emprego não se mantiver, a crise pode nos sufocar.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 13/09/2012
SOBRE POLÍTICA E ECONOMIA
Leigos tendem a pensar que Economia é uma ciência exata. Números, equações, modelos e gráficos, quando organizados por um “economista”, seriam a mais fiel expressão da realidade. Nessa perspectiva, somente técnicos poderiam dirigir os assuntos econômicos, deixando de lado qualquer tipo de intromissão indevida, principalmente a política.
Está errado pensar assim. A economia não é feita por robôs, mas por gente que possui interesses, motivações, necessidades, etc. que não podem ser compreendidos essencialmente por modelos matemáticos. Num modelo específico, a queda dos juros é sempre vista como uma oportunidade para a realização de novos investimentos ou consumo. Na prática, a coisa funciona diferente. No Japão, onde as taxas de juros são negativas, o cidadão poupa ao invés de gastar. Já no Brasil, onde as taxas de juros ao consumidor são elevadas, se consume muito e pouco se poupa.
A política é a variável mais importante da economia. É no âmbito do Estado que são definidos os parâmetros da atividade econômica. Seria impossível produzir sem que o Estado garantisse a estabilidade e o poder de compra da moeda, as relações trabalhistas, a taxa básica de juros, a cotação do câmbio, os impostos, a proteção contra a concorrência desleal de outros países, etc. Essas decisões sempre implicam escolhas políticas, uma vez que quem controla o Estado é o grupo político-social apoiado pela maioria dos eleitores.
Pensando em Marília, há questões essenciais para garantir o desenvolvimento econômico, como as alíquotas do ISS, do IPTU e do ITBI. Para os especuladores imobiliários, por exemplo, quanto menor o IPTU melhor. No entanto, se elevasse o IPTU para esses especuladores se ampliaria a oferta de lotes, haveria uma ocupação mais ordenada do solo e ainda incentivaria o setor de construção civil, gerando mais empregos e renda. No entanto, esta decisão econômica é antes de tudo uma decisão política e dependeria do jogo de forças surgido das próximas eleições.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 30/08/2012
Estado, Mercado e Desenvolvimento
Na semana passada, a Presidenta Dilma Rousseff lançou um abrangente programa de concessões na área de transportes, prevendo a duplicação de rodovias e a construção de trechos importantes do malha ferroviária nacional. Para o mês de setembro, está prevista uma nova rodada de concessões, dessa vez nos setores portuário e aeroportuário. A expectativa é a de incentivar setores empresariais a investir fortemente nesses setores relacionados ao chamado “Custo Brasil”, diminuindo custos, aumentando a eficiência e tornando mais competitiva a economia brasileira.
A imprensa conservadora festejou esta onda “privatizações”, acusando de incoerente o Governo e o PT, que em época de eleição critica os processos de “privataria” do governo FHC. Por conta disso, a opinião liberal retoma sua artilharia contra o Estado, defendendo o mercado autorregulado como o único meio para garantir o desenvolvimento.
Observando o problema com cuidado, vemos que a crítica desses setores é extemporânea. Depois da falência do Banco Lehman Brothers, em 2008, que iniciou a grave crise financeira que atormenta a economia mundial até hoje, ficou indefensável a posição de apologia ao livre mercado e ao Estado mínimo. A economia sem pesos e contrapesos (Estado, sociedade, sindicatos) é um convite ao mais selvagem egoísmo, deixando a população à mercê das aves de rapina.
Veja-se o exemplo da China: apesar de desestatizar milhões de empresas, o país reteve sob controle estatal uma centena de megaempresas que lideram o processo de crescimento do país. É conhecida a frase de Deng Xiaoping de que “não importa a cor do gato, o que importa é se ele pega o rato”. De forma similar, a liderança brasileira deve libertar a mente e adotar as soluções que efetivamente resolvam os problemas, seja com o Estado, seja com o mercado. Não podemos abrir mão do BNDES, do BB, da Caixa, da Petrobrás ou da Eletrobrás. Mas também podemos pensar que o Estado resolva TODOS os gargalos da economia brasileira.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 23/08/2012
ENSINO SUPERIOR, QUOTAS E QUALIDADE
Em 07/08/2012, o Senado Federal aprovou a quota de 50% das vagas em universidades federais para alunos oriundos de escolas públicas. Tal medida gerou um festival de reclamações nas redes sociais. Afinal, para alguns privilegiados isto é um absurdo, pois se trocaria um suposto mérito do candidato por sua origem social. Também as mantenedoras de escolas privadas reclamaram muito dessa “discriminação” contra os seus clientes, já que em tese podem perder alunos para escolas públicas.
No Brasil há um contrassenso: pobres estudam em escolas públicas e ingressam em faculdades privadas. A elite estuda em escolas privadas e ingressa em universidades públicas. Afinal, por que famílias mais abastadas escolhem a universidade pública ao invés da particular? Creio que o problema delas não é a falta de dinheiro para pagar a universidade privada, mas a convicção de que nas públicas a qualidade e a formação são melhores.
Afinal, elas concentram professores mais bem titulados e uma estrutura que integra o ensino, a pesquisa e a extensão. Para exemplificar, esta semana a OAB publicou a lista dos 20 cursos que mais aprovaram alunos em seu exame. De 20 cursos, 19 são públicos. De São Paulo, só figuram na lista a USP e a Unesp.
Frente a isso, não seria justo indagar às mantenedoras privadas o porquê de não oferecer cursos de alta qualidade para atrair a clientela das escolas privadas, concorrendo assim com as universidades públicas? A resposta é clara: porque isso custa caro. Se o objetivo principal dessas instituições é o lucro fácil, não faz sentido aumentar os custos com professores e uma estrutura adequada.
Termino fazendo uma advertência: seriedade e comprometimento não são privilégios das universidades públicas, mesmo porque nelas também há gente sem compromisso. Existem instituições sérias que com pouca estrutura ajudam a formar profissionais que de outra maneira não teriam nenhuma oportunidade. Mas volto à questão, por que não melhorar a qualidade?
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 16/08/2012
O QUE VOCÊ TEM A VER COM A CRISE DA EUROPA?
Na condição de professor de Economia Política, muitas vezes sou questionado por leigos sobre o porquê de a crise europeia influenciar negativamente a economia brasileira. Apesar de o problema não ter sido criado aqui, seus impactos estão afetando a vida das pessoas no Brasil e no mundo inteiro.
Vale lembrar que a economia mundial é fortemente integrada. Veja-se o caso das exportações de minério de ferro: por que os preços estão caindo? Nossa maior compradora é a China e lá muito desse ferro é utilizado para produzir bens que são exportados para a Europa e para os Estados Unidos. Se os mercados daqueles países se contraem, diminui a demanda por ferro e, consequentemente, seus preços tendem a baixar, impactando a nossa balança comercial.
Já quando se pensa nas exportações de bens industrializados, o maior mercado do Brasil é a América Latina. Aí vemos o mesmo efeito. Se a China vende menos para o exterior, caem os preços de outras matérias primas, como o cobre chileno. Se a renda dos chilenos diminui, os produtos brasileiros lá vendidos ficam encalhados, causando mais problemas por aqui.
Ao observar o fluxo de capitais, ocorre a mesma coisa. O Brasil é importador de capitais, seja para apoiar empresas privadas e bancos, seja para ajudar o governo a fechar as contas externas. Em meio a crises, como a que ocorre na Europa, a finança internacional tende a ser mais seletiva, o que reduz a possibilidade de empresas conseguirem dinheiro para produzir mais, tanto lá como cá.
O grande problema está no fato de que a crise europeia não é passageira. Com governos endividados, bancos quebrados e uma política econômica conservadora, as coisas tendem a piorar. Quem paga a conta, mais uma vez, são os trabalhadores, que estão vendo seus salários caindo e o aumento do desemprego e do desespero. A situação fica pior para a juventude. Na Espanha, mais da metade dos jovens está desempregada... Cabe perguntar: até quando o Brasil aguentará firme?
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 09/08/2012
No esporte, o importante é ... Dinheiro!
Daqui até 12 de agosto a atenção das pessoas estará voltada para as Olimpíadas de Londres. Nesse ínterim, muito se falará de medalhas, recordes e frustações. No entanto, além da paixão, os Jogos tem sido uma atividade muito lucrativa, que envolve bilhões com direitos de transmissão, patrocínios e licenciamentos. O negócio também está dentro dos locais de competição. Para o atleta, a conquista de uma medalha de ouro pode significar, de pronto, mais de 1 milhão de dólares, isto sem contar a renda obtida com patrocínios, como os cereais “que preparam os futuros campeões”!
O esporte “amador” já não existe. A preparação de cada campeão é coisa de profissionais. Por detrás do atleta de alto desempenho há uma estrutura que visa garantir sua nutrição, preparação, viagens, assistência médica, fisioterapia, relações públicas e, é claro, um empresário. A agência 9ine, de Ronaldo Nazário, gerencia a imagem de esportistas como Neymar, Bruno Rezende e Anderson Silva, faces frequentes nas mais variadas propagandas.
Para se ter ideia do volume de dinheiro envolvido, somente o recém-cancelado contrato de Ronaldinho Gaúcho com a Coca-Cola rendia a ele 1,5 milhão de reais por ano! A marca “Corinthians” já vale mais de 1 bilhão de reais e a gigante de material esportivo Nike fatura aproximadamente 20 bilhões de dólares por ano.
A propósito da Nike, quantas fábricas ela possui no mundo para ganhar tanto dinheiro? O leitor se surpreenderia se disséssemos que a Nike não possui uma máquina de costura sequer para fazer suas camisetas, calçados ou bolas? Tudo é muito simples: o que agrega alto valor como marketing, desenvolvimento e pesquisa, comercialização e finanças fica nos Estados Unidos; aquilo que agrega pouco valor, como a produção em si, é feito por milhares de fábricas espalhadas pelos países pobres mundo onde o que conta são os baixíssimos salários. Antes, o importante era competir e não vencer... hoje, esporte significa, sobretudo, dinheiro!
Publicado no Jornal Bom Dia Marília de 02 de agosto de 2012
Crise, pessimismo e otimismo
As notícias sobre a crise internacional tem deixado muita gente preocupada. Afinal, estamos acostumados, desde o primeiro Choque do Petróleo, em 1973, a sofrer com os efeitos das turbulências econômicas. Desde então, já se passaram inúmeras crises e apesar dos percalços, estamos aqui, vivos, lutando para sobreviver e realizar nossos objetivos.
Já que passamos por todas estas crises, por que então cair num pessimismo exagerado justamente agora quando a situação do Brasil é bem melhor do que no passado recente? A dívida externa pública é muito pequena. As reservas internacionais estão acima de US$350 bilhões. O país é quase autossuficiente em energia. O endividamento das famílias, em proporção do PIB, é bem menor do que o das famílias dos países ricos. A taxa de juros básica (SELIC) está em seu menor nível na História. A relação dívida/PIB do Brasil está abaixo de 50%, enquanto que a de países como a Itália ou o Japão passa de 100% do PIB.
A História mostra que não há uma relação automática entre crise externa e crise interna. No mesmo instante em que ocorria a Grande Depressão do século XIX (1870-1893) e a hegemonia da Inglaterra era contestada, novas potências emergiram, como Estados Unidos, Alemanha e Japão. O Brasil também já surpreendeu: na década de 1930, em meio à Depressão que se seguiu ao colapso da Bolsa de Nova York, o PIB industrial brasileiro cresceu 109%! No século XX, o país foi um dos campeões de crescimento econômico.
Diferentemente de discursos apocalípticos, a atual crise econômica mundial é uma crise de crescimento. A ascensão da China, da Índia e de outros países em desenvolvimento vem chacoalhando a ordem internacional. A incorporação de mais de 2,5 bilhões de pessoas ao mercado mundial, desde 1980, tende a criar riscos e oportunidades. No caso do Brasil, o horizonte parece promissor. Cabe-nos levantar a cabeça, olhar o futuro de frente e arregaçar as mangas. Mesmo porque, crises vão e vêm, mas nossos sonhos continuam.
Publicado no Jornal Bom Dia Marília em 26/07/2012
sábado, 4 de junho de 2011
domingo, 29 de maio de 2011
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